Ministério Público inaugura ‘Sala Lilás’ para atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar

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O atendimento para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar ficou ainda mais humanizado a partir desta quinta-feira (31). O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) inaugurou a "Sala Lilás", um espaço que, a partir de agora, representa o acolhimento de uma forma mais simbólica a essas vítimas, que já chegam à Promotoria de Justiça de Prevenção e Combate a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher numa condição de bastante fragilidade.

A “Sala Lilás”, que funciona nas dependências do Juizado de Prevenção e Combate a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, no Centro de Maceió, foi sugerida pela promotora de Justiça Maria José Alves, que atua na 38ª Promotoria de Justiça da Capital, com atribuição para trabalhar nessa área. Segundo ela, instituições de outros estados que criaram esse espaço conseguiram dar um significado diferenciado ao atendimento. “É uma sala que tem um simbolismo em função do lilás, que é a cor adotada pelo movimento feminista. Para quem ainda não sabe, o lilás representa a fusão das cores azul e rosa. A azul, que, teoricamente, é associada ao homem e, a rosa, à mulher. Ou seja, é uma cor que significa a união dos dois gêneros em favor de uma causa, que é o combate a violência contra a mulher. E também é importante acrescentar que, na cromoterapia, o lilás é tido como a cor da transformação e da transmutação. Estamos muito felizes por mais essa conquista”, declarou a promotora.

Segundo ela, a Sala Lilás funcionará para aqueles casos que necessitam de um atendimento mais diferenciado, onde a mulher chega à Promotoria de Justiça numa condição de maior vulnerabilidade emocional. "A equipe multidisciplinar do Juizado, com psicóloga e assistente social, poderá fazer o acolhimento da vítima nesse espaço, que ganhou cor e desenhos para quebrar um pouco o sofrimento de quem nos procura em busca de ajuda. Trata-se de uma sala pensada para fazer com que a mulher se sinta mais à vontade”, explicou Maria José Alves.

A promotora de Justiça informou ainda que, somente neste dia 31, quatro mulheres procuraram a Promotoria alegando que criaram coragem para denunciar seus agressores após verem a campanha do Ministério Público. "O resultado foi bastante positivo. Tivemos um aumento considerável de vítimas que decidiram dar um basta nas agressões. Isso é sinal que elas entenderam a nossa mensagem", completou.

E para que a Sala Lilás ganhasse a forma atual, precisou de autorização, primeiro do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Otávio Praxedes e, na sequência, do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto. “A ideia de criar a sala foi muito importante porque não estamos apenas falando de paredes que foram pintadas nessa cor. A proposta vai mais além, ela significa dizer que criamos um espaço de amparo e proteção para receber mulheres que estão marcadas pela violência, seja ela psicológica, física ou patrimonial. A ideia é que as vítimas se sintam à vontade, em segurança e que percebam, naquele atendimento de acolhida, que o Ministério Público de Alagoas está ali para trabalhar em favor do resgate da sua dignidade”, disse o chefe do MPE/AL.

O grafite e o seu significado

Além do lilás, a sala também ganhou um desenho especial. O servidor do Ministério Público Anderson Macena e a sua esposa, Thaynara Mesquista, grafitaram o rosto de uma mulher numa das paredes. “Fizemos uma mulher negra soprando flores. A mensagem é metafórica e o que queremos dizer com ela é que o sexo feminino é delicado em sua essência e precisa ser tratado com sensibilidade sempre”, argumentou ele.

A sala Lilás faz parte das ações do Agosto Lilás, a campanha do Ministério Público Estadual de Alagoas lançada no dia 1 deste mês. Para chamar a atenção da sociedade sobre o tema, o MPE/AL produziu comerciais para televisão e rádio, fez ações nas ruas de Maceió e Arapiraca, iluminou o seu prédio-sede nessa mesma cor e confeccionou dezenas de artes e vídeos para as redes sociais da instituição, a exemplo de Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

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